Asfalto precário exige que fabricantes usem até suspensão militar nos caminhões brasileiros

Responsável por movimentar mais de 60% das mercadorias no Brasil, o transporte rodoviário tem graves problemas de infraestrutura: somente 12,4% de toda a malha rodoviária é pavimentada, de acordo com a CNT (Confederação Nacional do Transporte). São 25,1 km de rodovias asfaltadas para cada 1.000 km² de área.

Para enfrentar as condições precárias do solo, as fabricantes fazem diversas adaptações em seus caminhões para garantir a segurança dos motoristas e das mercadorias, além de evitar problemas mecânicos periódicos. Essas transformações podem ser radicais.

A sede da fabricante de caminhões Scania fica na cidade de Södertälje, a 30 km da capital Estocolmo, na Suécia. No inverno, a temperatura da região chega a -10 °C e, no verão, não ultrapassa os 21°C. Assim como em todo o território sueco, o asfalto é impecável.

No Brasil, a Scania precisa fazer alterações mecânicas para garantir a segurança nos nossos terrenos — Foto: Divulgação

Agora imagine trazer um caminhão fabricado para andar na Suécia e colocar no trecho da BR-324 que liga os municípios de Balsas, no Maranhão, a Ribeiro Gonçalves, no Piauí. Rota importante do agronegócio, essa estrada é toda de terra e tem outros agravantes: no verão a temperatura ultrapassa os 40ºC e há muitas áreas que ficam alagadas em épocas de chuva.

Como um caminhão sueco faz para enfrentar estes cenários?

“No Brasil as condições são extremas, tanto nas estradas quanto no clima. É diferente de qualquer lugar do mundo. Não dá para trazer um caminhão da Europa para rodar aqui sem mudar nada. O Série 4, por exemplo, é um produto de engenharia global desenvolvido na Suécia, mas tem muitos opcionais específicos para atender o mundo inteiro”, afirma Paulo Genezini, gerente de pré-vendas da Scania no Brasil.

Em muitas regiões do Brasil, como a BR-324, as estradas são todas de terra — Foto: André Schaun

Antes de ser lançado no mercado brasileiro, o caminhão passa por intensos treinamentos práticos em pista de teste e em situações reais do dia a dia. Os solos irregulares provocam vibrações por um longo período nos veículos, o que compromete muito a parte mecânica.

“O caminhão é carregado com sua carga máxima para simular as situações de suas rotas. O objetivo é testar a durabilidade dos componentes e analisar para-choque, suspensão, embreagem, freios, entre muitos outros, para ter a certeza de quais peças do nosso portfólio vão aguentar nossas condições. Se isso não for estudado nos mínimos detalhes pelos engenheiros, qualquer caminhão vai passar mais tempo na oficina que na estrada”, explica Genezini.

Outro ponto particular do Brasil é o excesso de terra, lama e poeira, que prejudica os filtros de ar e a visibilidade do motorista, aumentando a chance de acidente. De acordo com Genezini, o uso de sensores e câmeras é indispensável para a segurança.

Fonte: Autoesporte

Kauzz

Sou blogueiro, twiteiro, vlogueiro, youtuber, biólogo, social media e podcaster. Vivo buscando conhecimento e informação nesse mundo caótico, ao lado da minha morena.

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