Blairo diz que russos vão incomodar o Brasil na disputa pelo mercado de soja

Inundações, aumento de incêndios florestais, alteração de regimes de chuva. Essas são algumas das consequências do agravamento da crise climática pelo qual passa o planeta. Enquanto o aquecimento global afeta negativamente a maior parte dos países do mundo, alguns podem até ver vantagens no cenário. A mudança climática tende a transformar a agricultura e pode tornar países gelados como a Rússia, potências mundiais na área.

O agronegócio brasileiro está atento à essa transformação. Em entrevista ao jornalista Pedro Pinto de Oliveira, do PNB Online, o ex-ministro da Agricultura, que também foi governador e senador por Mato Grosso, Blairo Maggi, alerta que a longo prazo o Brasil pode ser afetado pelo crescimento russo. Aproveitando-se do aumento da temperatura em regiões ao norte do país, a Rússia vem ampliando suas áreas de plantio, valendo-se de uma produção orgânica.

“A temperatura aumentou, a neve diminuiu bastante e eles estão sim plantando e vendendo mais soja para os mercados. Eles já vendem para a China e para outros países. A própria Amaggi compra soja do Canadá e da Rússia, que é soja GMO free [livre de transgênicos] para levar para Noruega onde nós temos uma planta industrial”, revelou o proprietário do Grupo Amaggi, um dos maiores produtores de soja do mundo.

Além do ganho de área para produção, a elevação da temperatura tem permitido a abertura de novas vias marítimas no Ártico e períodos de plantio mais prolongados na Rússia, conforme mostrou a revista piauí em edição publicada este mês. Com o crescimento da produção russa, a China, maior comprador da soja brasileira, pode mudar de fornecedor em razão da distância. Há 16 mil km do Brasil, os chineses tendem a ver vantagens na negociação com os vizinhos russos.

O tempo que será necessário para que isso aconteça ainda é incerto. Para Maggi, há outras variáveis que precisam ser consideradas. “Esse mercado mundial de soja muda conforme os preços e as condições que você vai buscando. Se isso pode se tornar uma ameaça para o Brasil? A longo prazo sim, pode. Como o consumo está aumentando, não é possível sentir agora, mesmo com esse aumento na produção russa. Mas em alguma hora pode haver estagnação do consumo e isso pode atrapalhar o Brasil”, afirma.

Em todo o mundo, o aquecimento global vem causando secas, desertificação e transformando grandes áreas em locais inabitáveis. Para Maggi, é ilusória a sensação de ganho diante de um cenário de mudanças tão severas. “Se alguém ganha, como a Rússia e o Canadá nas áreas ao norte, é um ganho muito pequeno perto do geral que está acontecendo no mundo deslocando produção, pessoas, espécies ameaçadas, etc. Não é porque os russos ganham de um lado que eles devem torcer a favor do aquecimento”, pontou.

Fonte: pnbonline

Autor: Safira Campos Da Redação Wikimedia Commons/Wikipedia

Kauzz

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