Rodovia de US$ 1 bilhão não leva a lugar nenhum em Montenegro (e pode quebrar o país europeu)

A rodovia de 41 km custou quase US$ 1 bilhão e atravessa montanhas com túneis e vales com pontes imponentes na paisagem bucólica de Montenegro. Mas, até o momento, não leva a lugar nenhum e ameaça quebrar a economia do pequeno país de pouco mais de 600 mil habitantes na Europa.

Após seis anos de obras, o sonolento vilarejo de Matesevo, às margens do Rio Tara, abrigará o improvável fim de uma das rodovias mais caras do mundo.

Quando for concluída, a estrada Bar-Boljare vai conectar a cidade de Bar, na costa do Mar Adriático em Montenegro, à vizinha Sérvia, passando pela capital Podgorica (veja mais abaixo).

Vista aérea do 1º trecho da rodovia Bar-Boljare, que vai conectar a cidade de Bar, na costa do Mar Adriático de Montenegro, à vizinha Sérvia. Foto feita perto da capital Podgorica em 11 de maio de 2021. — Foto: Savo Prelevic/AFP

Mas há um problema. O governo já gastou US$ 944 milhões em empréstimo com um banco chinês para concluir o primeiro trecho da estrada, de apenas 41 km, entre Podgorica e Matesevo.

Ainda é preciso fazer mais 130 km para terminá-la, a um custo provável de, no mínimo, mais US$ 1,2 bilhão. Faltam as ligações entre Bar e Podgorica e entre Matesevo e a fronteira com a Sérvia.

Além disso, a própria Sérvia ainda não assinou acordos para a construção do trecho montanhoso que ligará a autoestrada à sua capital, Belgrado. Sem esses trechos, a estrada não vai a lugar algum.

Rodovia de US$ 1 bilhão não leva a lugar nenhum em Montenegro (e pode quebrar o país europeu) — Foto: Elcio Horiuchi/G1

Empréstimo salgado

Em 2014, o pequeno país dos Bálcãs, que é candidato a entrar na União Europeia, pegou um empréstimo de US$ 944 milhões com um banco chinês para que a estatal chinesa CRBC (China Road and Bridge Corporation) construísse o primeiro trecho da rodovia.

Trabalhadores chineses passaram seis anos cavando túneis em rocha sólida e erguendo pilares de concreto acima de desfiladeiros, e o trecho que liga o vilarejo de Matesevo aos subúrbios da capital, Podgorica, será inaugurado em novembro.

O prazo para começar a quitar o empréstimo começa em julho, antes mesmo de o primeiro trecho ficar pronto (que deveria ter sido inaugurado em maio de 2019, mas atrasou).

Caso a dívida não seja paga, uma comissão de arbitragem em Pequim pode obrigar Montenegro a ceder a gestão de importantes infraestruturas do país, segundo cópia do contrato à qual a agência de notícias France Presse teve acesso.

O projeto faz parte de uma enorme onda de investimentos chineses nos Bálcãs, que geram preocupação na União Europeia de que os governos locais passaram a depender demais do dinheiro de Pequim.

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Fonte: G1

Kauzz

Sou blogueiro, twiteiro, vlogueiro, youtuber, biólogo, social media e podcaster. Vivo buscando conhecimento e informação nesse mundo caótico, ao lado da minha morena.

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