
O Brasil é esse país mágico onde até a desmontagem de alegoria vira pauta nacional. Mal terminou o desfile da Acadêmicos de Niterói e lá estava ela: a gigantesca escultura do presidente “Lules” sendo desmontada e arrastada pela produção, como quem leva embora o enfeite de Natal no dia 26 de dezembro — com a mesma dignidade, inclusive.
A internet, claro, fez o que a internet faz de melhor: viu um presságio apocalíptico ou tudo isso ao mesmo tempo. Mas a verdade é bem menos emocionante: era só logística. A vida real tem dessas crueldades.
Esse homem revoltado me representa ! pic.twitter.com/Xi1reeHz9w
— Leonice Maria (@LeoniceMariana1) February 16, 2026
A alegoria, que no desfile parecia saída de um épico cinematográfico, virou um trambolho de metal sendo puxado como geladeira velha em mudança de república estudantil. E convenhamos: poucas coisas representam melhor o espírito do pós-Carnaval do que ver esses trambolhos – agora sucata – sendo arrastado pela rua enquanto alguém grita “cuidado com o fio aí!”.
No fim das contas, o episódio só reforça uma verdade universal: no Brasil, até o que é planejado parece improviso. E talvez seja justamente isso que nos mantém vivos, rindo e comentando vídeos de alegorias desmontadas enquanto fingimos que a quarta-feira de cinzas não chegou.




